Parece que nunca se buscou tanto a felicidade quanto nos dias de hoje. Com o homem cada vez mais “livre” e a mente cada vez mais “aberta” percebe-se que a repressão sofrida em outros tempos deu vez à busca pela auto-satisfação.
Já vi em inúmeros “sub Nicks” de MSN e frases de Orkut, a expressão: “Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome muito...” ou coisas parecidas. Estas pessoas parecem não saber onde buscar a felicidade, e não percebem que a felicidade está ao lado delas o tempo todo, e que oscila em suas vidas tanto quanto a tristeza, mas a utopia da “felicidade plena” é o que prevalece como objetivo, pois os momentos de tristeza são mais lembrados e refletidos do que os “momentos” de felicidade.
Ninguém é plenamente feliz, mas pode estar feliz a maior parte do tempo, tudo vai depender da maneira como encara a vida que tem, ou a situação a qual está inserida naquele instante. Acho mais fácil encontrar a felicidade se fragmentarmos nossa vida em situações, não precisa ser um dia inteiro, mas em cada situação do dia a qual nos submetemos ou somos submetidos. Se pelo menos tentarmos encarar cada fato ( cada situação) do dia com otimismo, muitos dos que seriam momentos de tristeza deixarão de existir e a neutralidade favorecerá o realce de nossos momentos de alegria. Quando você menos esperar verá que seu dia terá sido muito mais feliz.
Pensando dessa maneira poderemos definir facilmente a felicidade, pois ela é marcada pela alegria, é a satisfação em si pelo valor atribuído ao que se tem (material ou não) mesmo que não tenha sido fruto de alguma conquista.
A felicidade não é um porto de chegada, e sim a maneira como você encara sua viagem, é a satisfação no que vê, e o que pode fazer para tornar sua “viagem” mais alegre e proveitosa.
Veja abaixo o resultado da pesquisa do filósofo francês Pascal Bruckner em seu artigo publicado na revista New Scientist:
Felicidade agora
Depois de um milênio e meio da chamada "cultura ocidental", nem Católicos e nem Protestantes viam a felicidade como algo a ser alcançado. O objetivo sempre fora livrar-se do pecado original, ganhar a salvação e ser feliz só depois da morte.
Mas veio o Iluminismo e, com ele, a noção de que a felicidade era algo para o presente e para esta vida corporal. Não seria necessário esperar pela morte para obter a felicidade - sem contar o risco de não se conseguir alcançá-la.
Renúncia e desprendimento logo deram lugar a outras "virtudes", que deveriam permitir cada vez mais momentos de felicidade.
Mas o filósofo francês Pascal Bruckner aponta é que, embora esse seja um bom objetivo, as pessoas estão se tornando infelizes em nome de sua busca pela felicidade.
"A felicidade se tornou um bem a ser vendido. O capitalismo exige que nós compremos, e, se temos que comprar, temos que buscar nossa satisfação nas compras. É por isso que as maiores lojas e empresas colocam a palavra felicidade em suas campanhas de marketing: 'estamos trabalhando pela sua felicidade', e por aí afora," afirmou ele em um artigo publicado na revista New Scientist.
Felicidade volátil
Esta cultura do consumo vem misturando a felicidade com tudo, incluindo perfumes, cremes, xampus, mas também com a busca por saúde, que logo se transforma em uma busca sem fim pela longevidade e até por uma obsessão por uma inalcançável juventude eterna.
O problema é que a felicidade parece se esvair com o momento da compra. E a última crise financeira mostrou que a maioria das pessoas sequer consegue arcar com suas contas - débitos em parte assumidos em busca da felicidade.
"Mas você não pode comprar a felicidade ou construí-la como uma casa, ou pedi-la como faz com um prato em um restaurante. Ela é muito mais caprichosa e difícil," diz Bruckner.
Caminho para a felicidade
Para ele, o maior obstáculo à felicidade são as próprias pessoas, que precisam se reeducar para atingir seus ideais, vencendo os tabus criados pela sociedade consumista - cujo único compromisso é o próprio consumo.
"O fato de que a depressão seja uma das doenças mais prevalentes hoje deve-se provavelmente ao fato de que a felicidade tornou-se o único horizonte: a depressão emerge quando você não consegue ser feliz, é um colapso interno," afirma.
Como não alcançam a felicidade, em vez de parar e repensar seus objetivos ou suas táticas, as pessoas tentam procurá-la com um afinco cada vez maior, transformando a busca pela felicidade uma tarefa em tempo integral.
"As pessoas estão sempre se perguntando, 'Será que sou realmente feliz?', 'É isto que eu estava procurando?' Em vez disso, elas deveriam assumir uma visão mais relaxada: a felicidade vem e vai," propõe o escritor.
O que é felicidade
Para ele, felicidade é um momento de encantamento, quando as pessoas abandonam suas preocupações e sentem alcançar um estado mental diferente daquele do dia-a-dia.
"O que me faz feliz? Uma boa noite de sono, ter ideais, um bom projeto. Se você tem uma paixão, ela torna sua vida mais fácil, mesmo que você tenha dúvidas ou momentos de tristeza. Ter a felicidade como único objetivo torna as pessoas malucas, é muito difícil, e você não vai saber quando chegou lá porque não há uma definição precisa de felicidade," diz Bruckner.